Trabalhar na Europa: para onde ir se eu falo inglês?

20/09/2017

Por Ana Czapla

Frequentemente recebo dúvidas de pessoas conhecidas a respeito de trabalhar e viver na Europa. Embora minha experiência acadêmica e profissional até então tenha sido apenas na Bélgica, como recrutadora com foco em vagas e perfis internacionais, consegui aumentar um pouco o meu entendimento a respeito de como é trabalhar e viver na Europa.

Para um brasileiro cuja segunda língua muitas vezes será o inglês, nem sempre é fácil encontrar empregadores dispostos a nos contratar. Ao meu ver a área de TI é ainda uma das que mais apresentam oportunidades para perfis internacionais não só na Bélgica, mas também na grande maioria dos países Europeus. Novas tecnologias sendo lançadas, abertura de novas startups e aumento na demanda de desenvolvedores por empresas de consultoria tornam os (bons) profissionais de TI extremamente cobiçados por aqui. Sendo assim, vou considerar os profissionais de TI como "exceções" e focar o meu texto nas demais profissões corporativas, como Marketing, Vendas, Supply Chain, Operações, RH, Finanças - entre outras.

Se você já decidiu que o seu próximo destino é a Europa, eu vou apresentar neste artigo algumas dicas práticas na hora de escolher o país-foco na sua busca de oportunidades.

Para onde ir?


Vamos lá: digamos que você fale inglês fluente e talvez mais alguma outra língua em nível intermediário, vou usar o espanhol como exemplo. O ideal para você seria então um país que tivesse mais fácil aceitação de profissionais fluentes em português ou inglês. Eu já comentei anteriormente aqui, mas países como Itália, França, Suíça e Alemanha ainda não lidam muito bem com profissionais que não falem suas respectivas línguas nativas, portanto ficaremos por enquanto com Portugal, Bélgica, Holanda, Irlanda e Luxemburgo como opções principais.

Portugal: eu particularmente adoro Portugal - uma cultura muito próxima da nossa, um clima mais agradável, custo de vida baixo... Mas de fato um país onde não sobram muitas oportunidades - e que inclusive tem exportado mão-de-obra especializada e jovem para outros países da Europa. Confesso que as chances para este indivíduo fluente em português e em inglês encontrar um bom emprego em Portugal estão baixas.

Bélgica: aqui existem 3 línguas oficiais - francês, holandês e alemão, embora o mercado exija profissionais trilíngues em francês, holandês e inglês na grande maioria de suas vagas. Ainda assim existe um número considerável de empresas e oportunidades internacionais em ambientes onde somente o inglês é necessário para o trabalho. Se o profissional ainda mostrar interesse e empenho em desenvolver o seu francês ou holandês, as suas chances de conseguir a vaga aumentam consideravelmente.

Holanda: a Holanda possui uma estrutura muito parecida com a Bélgica, a diferença é que aqui apenas duas línguas são relevantes: o holandês e o inglês, obviamente. As chances de encontrar uma oportunidade com um viés internacional aumentam principalmente se o seu foco for a região de Amsterdã, onde se concentram a maior parte das multinacionais e startups.

Irlanda: aqui existe uma grande vantagem - o idioma falado no pais. Mas não é só isso, a Irlanda conta com uma população bastante internacional, e atualmente abriga grandes escritórios e headquarters europeus de diversas multinacionais, incluindo empresas como Facebook, Google, Microsoft e LinkedIn.

Luxemburgo: com 40% da sua população formada por expatriados, este pequeno país oferece inúmeras oportunidades - especialmente para quem fala inglês - principalmente no setor financeiro. Assim como a Bélgica, Luxemburgo também possui 3 línguas oficiais e hospeda os headquarters europeus de varias grandes empresas, entre elas a Amazon (Europa) e a ArcelorMittal.

E o visto?

Se nem você e nenhum membro da sua família, assim como eu, possuem alguma nacionalidade europeia, o jeito é contar com a persistência e com a sorte. Considerando os países citados acima, com exceção da Irlanda, o processo de obtenção de um "Work Permit" não deve ser muito difícil. Normalmente não é um processo custoso e nem depende de um sorteio, como é nos Estados Unidos. Pesquise com antecedência sobre os pré-requisitos de cada país, mas via de regra (levando em conta minha experiência com os belgas) se você tiver uma empresa que queira lhe contratar e você apresentar todos os documentos requisitados as chances de um resultado negativo são muito baixas.

Veja bem: a minha intenção aqui não é a de vender o sonho de morar na Europa como sendo algo fácil, mas definitivamente é tangível se você depositar um certo tempo e esforços para chegar la. A Europa como um todo está aberta aos imigrantes, além de estar carente de mão-de-obra especializada e experiente - então mãos a obra! :-)

 

Ana

 

Ana Czapla é Engenheira e atua no setor de recrutamento desde 2012 – no Brasil, em Nova York e agora na Bélgica. De headhunter a job hunter, nestes últimos 4 anos ela já passou por algumas fases diferentes: emprego dos sonhos, desemprego e trocas de emprego e de carreira, e espera poder inspirar alguns profissionais dividindo suas experiências por aqui.
Ana Czapla
por Ana Czapla

Ana Czapla é Engenheira e trabalha com recrutamento e seleção desde 2012 – no Brasil, em Nova York e agora na Bélgica. De headhunter a job hunter, nestes últimos 5 anos ela já passou por algumas fases diferentes: emprego dos sonhos, desemprego e trocas de emprego e de carreira, e espera poder inspirar alguns profissionais dividindo suas experiências por aqui.


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